terça-feira, 4 de junho de 2019




CACOS

no verão
cigarra é artefato para
desmembrar solidão
quando ventania
deita coco
quase sem razão
é bicho luzindo
feito vidro no chão
de canto seco
em seca emoção



MISTÉRIO

a lua ganindo
no céu da boca

é dropes
de outra lã

mina d’água
em teus anseios

ambos no relevo
em declive
dos meus sonhos

guardados
dentro
da blusa

e a lua
nem sei como
entrou aqui



SESSÃO CORUJA

no verdeamarelado da
cútis do conde drácula você
ainda espera o carinho que não
vem o beijo falso de caninos
deslizando a jugular o fim da
refeição com um movimento
rápido da mão enxugando o
canto da boca e mesmo aquele
efeito para lá de tosco de um
homem adulto transformando-se num
morcego cego de sono você
desliga a tv e vai dormir



MEU NOME SE CHAMA...

¿alguém mais
vai querer mais

é só um
real apenas

ouvido em viagens de trem 
na linha 9 (Esmeralda) 
Grajaú/Osasco – São Paulo – SP



LIVRO

tem vezes
que é gozo

outras

ejacula
são



CÊJÁ FOISE

meioameio
novesfora

teu é DEUS
meunochão

fitti
paldi
wiki
pedia
nósesó

terna
net
baita
bits

tudofeng
chui
decora
são

menosteus
olhoscheiro

caladooutro
lado eusó



VIGILANTES

fogueira teus
sentidos

enquanto aspargo
os meus

neste sabor
entre túnica
e uma fritura
de DEUS

carboidratos
tantos para
teu sono

sofro
no fole
de ti

fósforo calado
pálpebras e
bem-te-vis



SAPATO FLORIDO
a Mário Quintana

vento no
chapéu
é passarinho
arteiro

cabe inteiro
na tarde
com perfume
de sol

seu pio põe
no dia
qualquer coisa
bemol

é ave que vem
e vai o céu

às vezes venta
                    dentro
do meu chapéu



ESTÓRIAS DE PEDRO

era em algum
lugar da morávia
que eu morava

entre boldos
lobos e oboés

tudo tinindo de
verde na primavera
ou no trincar de dentes
do inverno

à noite
quando soprava
um vento mais
gelado

botava a gente
em cobertas

desejar boa noite
era façanha de então

em que íamos
como num parque
de diversão



PELEJA NO JARDIM

margarida
seus espinho

meu amô
machucô

– é mentira da rosera

margarida
só dá fulô



RÁ-TIM-BUM

o pedido que se faz
é sempre o mais mordaz

é um querer
tão presente

logo que se ganha
um presente

velas acesas nos
olhos da memória
é doce lembrança

feito o desejo
que nada alcança

Um comentário:

  1. Gostei! Nessa lida gostei de Rota de Colisão, Outro, Livros.... Estórias de Pedro. Na próxima vou gostar de.... Abraço.

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